Mulher no comando da companhia dá mais lucro

Levantamento da OIT mostra vantagem da presença feminina no topo das organizações.

Empresas com mulheres em postos de liderança têm melhor desempenho nos negócios, e isso acontece também no Brasil, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O relatório “Mulheres na gestão empresarial: argumentos para uma mudança” se baseia em pesquisa com 13 mil empresas de 70 países. Mais de 75% das companhias entrevistadas afirmam que suas iniciativas em favor da diversidade de gênero contribuem para melhorar seu rendimento nos negócios. Quase três entre quatro empresas que promovem a diversidade de gênero em cargos de direção dizem ter obtido aumento de 5% a 20% nos lucros.

No alto escalão, a OIT considera que o equilíbrio de gênero corresponde a mulheres ocuparem entre 40% e 60% das posições. Para a organização, é possível começar a constatar os efeitos benéficos da diversidade de gênero quando executivas detêm pelo menos 30% dos cargos de gestão. No entanto, perto de 60% das empresas não alcançam esse objetivo.

Cerca de 57% das companhias participantes dizem que a diversidade ajudou a atrair e a reter talentos. Mais de 54% apontam melhora na criatividade, inovação e abertura, além de a diversidade de gênero ter beneficiado suas reputações. Para 37%, a inclusão permitiu avaliar de forma mais eficaz a opinião de seus clientes.

No caso do Brasil, de 451 empresas entrevistadas, mais de 71% afirmam que ter iniciativas pela diversidade e igualdade de gênero aumentou seus resultados financeiros. Dessas empresas, 29% dizem que o lucro cresceu entre 10% e 15% e 26% apontam ganho de 5% a 10% maior.

Entre 2012 e 2017, as mulheres fizeram progressos mais substanciais nos níveis médio e sênior de gestão no Brasil em comparação com outros países da América do Sul como Uruguai e Equador. O Brasil apresenta uma diferença de menos de 5 pontos percentuais entre a participação de mulheres na força de trabalho e nos níveis de gerência média, o que para a OIT demonstra a existência de um “fluxo saudável” de gerentes mulheres que mais tarde se tornarão altas executivas.

O relatório destaca alguns fatores que impedem as mulheres de ascender a postos de diretoria. Um deles é a cultura da empresa exigir disponibilidade de tempo integral, o que acaba afetando de maneira desproporcional as mulheres. O que é certo, segundo Deborah France-Massin, diretora do Escritório da OIT para Atividades dos Empregadores, é que o interesse em ter mais mulheres em postos de liderança é irrefutável.

Fonte: Valor Econômico, por Assis Moreira, 23.05.2019